Criança no dentista sem choro: é possível? Sim, assim como é possível também se adaptar a um novo ambiente sem choro

Por Fernanda Rezende Silva

Um dia desses vi uma mãe pedindo indicação de dentista “que leve jeito com criança”, e aí lembrei das experiências que tivemos. A primeira dentista que tentamos não levava jeito algum. Eu deitei na cadeira da dentista, minha filha deitou em cima de mim e enquanto a dentista fazia a limpeza um funcionário segurava os braços da minha filha, literalmente prendendo-a para ela não se mexer. Foi um horror. A dentista disse “é assim mesmo, criança não pára quieta, tem que segurar”. Ao ouvir isso lembrei das pessoas que dizem “é normal chorar na adaptação (com creche, babá, etc.)”, “depois de X dias (ou semanas) acostumam”. Nunca achei isso normal, e saí do consultório pensando “tem que existir profissionais diferentes, gente que realmente leve jeito com crianças”.

Pois bem, esses profissionais existem mesmo, e aqui acho muito justo citar o nome da dentista maravilhosa que encontramos: Liliane Narciso. Com ela nunca tivemos problemas: ela e sua equipe sabem conduzir muito bem o atendimento, de forma que a criança se sente segura e até se diverte. Da mesma forma que existe dentista “que leva jeito com criança”, existem também médicos e profissionais de várias outras áreas – nem sempre é fácil achar, mas sim, eles existem, e depois dessa experiência maravilhosa com a dra Liliane eu tive ainda mais certeza: criança não tem que engolir o choro “porque é assim mesmo”, é possível sim se adaptar a um novo médico, professor, cuidador, etc., de forma gradual e respeitosa.

Sei que deve ter gente pensando “ah sim, estes profissionais existem mas nem sempre são acessíveis”. Isso é verdade, por isso a intenção aqui é apenas gerar reflexão, mostrar que há outras formas possíveis, questionar o discurso padrão que diz “é desse jeito, tem que aguentar”: se os pais sabem que adaptação respeitosa é algo possível eles podem ao menos tentar (dentro de suas possibilidades).